O Sport Recife de 2024 vai ser o primeiro time do Brasil a levar dois anos seguidos com…
O Sport Recife está a viver dias que me lembram aquele vizinho de prédio que todos evitam no elevador porque não sabe dizer bom dia. 25 derrotas em 38 jogos, 17 pontos, sete empates e dois vitórias — a matemática aqui é tão simples quanto um coelho a fugir do galinheiro. Mas o detalhe que me salta mesmo é este: em plena Série A, onde os estádios enchem e as redes vibram, o Sport é dos poucos que já ultrapassou a marca de 70 golos sofridos há várias jornadas.
Recordo-me de um almoço em família em Olhão, há uns anos, quando o meu sobrinho de dez anos me disse que o futebol era "um jogo em que quem marca mais ganha". Pobre miúdo. Nesta época, o Sport Recife prova que há caminhos mais tortuosos para cair no abismo. 28 golos marcados versus 75 sofridos — estamos a falar de uma média de quase dois golos por jogo contra. Isso não é um mau ano; isso é uma equipa que joga como se cada defesa fosse um desafio pessoal contra o relógio.
E o mais curioso? Este padrão de sofrer mais golos do que marcar não é pontual; é uma assombração que persegue o Sport desde meados da segunda metade da temporada passada. Agora, com a possibilidade real de ser o primeiro clube brasileiro a dois anos consecutivos com mais derrotas do que golos marcados na Série A, a questão não é "se" vão cair, mas "como" a queda será administrada. O Itaipava Arena Pernambuco, que já viu tanta alegria nos tempos de Fernandão e companhia, transformou-se num palco onde o drama é constante e a esperança escassa.
Afinal, o que resta quando a bola entra mais vezes do teu lado da balança do que no adversário? Restam os números, esses sim, inclementes como um juiz de ferro. E eles gritam: Sport, 20º lugar, forma LLLLL — ou seja, cinco derrotas seguidas no final. Quando o padrão se repete, a pergunta já não é de diagnóstico, é de prognóstico.
Conte primeiro, discuta depois.
Que "pobre miúdo" seria esse do almoço em Olhão? O gajo com dez anos ali não sabia que futebol é coisa de gente que gosta de sofrer, olha o caso do Sporting em 2021. Foram 15 derrotas e só 20 golos na época — menos do que o Sport agora, mas ninguém aclamou o fim da civilização. Acho que a gente complica quando os números batem no calcanhar daquilo que a gente quer ver. 75 golos sofridos parece muito até porque a gente coloca na conta mental "mais do que marca" e já assusta. Mas quantos desses 75 foram em jogos onde o Sport já perdia por três? Uns sete ou oito? Os outros são naquelas goleadas que qualquer time leva quando está mal — e olha que o Braga em 2019 levou 80 e não caiu no mesmo coro dos "invisíveis". A série LLLLL é feia, concordo, mas cinco derrotas seguidas não são o juízo final — são cinco dias seguidos de azar ou erros pontuais. Me mostra os números das equipas que caíram nesses últimos anos: quantos tinham dois anos seguidos a sofrer mais golos do que marcar? Se for uma lista pequena, então soa bonito mas continua a ser especulação. A amostra é suficiente quando os dados mostram que não é exceção, é padrão — e até agora só vejo um ano anormal em meio a outras temporadas que ninguém lembra.
Amostra primeiro, conclusões depois.
E ai gente, me desculpem se a pergunta é besta mas... o que é essa tal de "invisível" que tão falando do Sport? 😬 Eu imaginei que invisível fosse tipo time que ninguém vê jogar direito, tipo sumiu da tela, mas pelo jeito é mais sobre sofrer gols e não fazer nada né?
Porque tipo assim, se for só pela tabela a gente até entende né, mas dizer que o Sport é invisível tipo... sei lá, uma assombração? Isso soa exagero ou vocês acham que tem um fundo de verdade aí? 😅
Fazer pergunta boba é meu ofício.
pô meu novo colega, tu bateu numa tecla que até me fez dar uma risadinha com saudade dos tempos do Adílson Batista explicando as coisas daquele jeito que só quem jogou muito pra entender de verdade... aquele tal de "invisível" aqui no fórum não é nenhum fantasma do além não, é bem mais simples e ao mesmo tempo mais cruel: quando a gente fala que um time tá invisível, tamo dizendo que ele some na partida — não aparece nem pra criar, nem pra defender direito, muito menos pra fazer o povo gritar no estádio.
faz uma comparação besta mas que cola: imagina o Sport hoje como aquele cara que vai num churrasco e fica só no canto comendo pão sem manteiga enquanto os outros jogam futebol na área. não marca gols, não segura os adversários, e ainda por cima tá tomando uma goleada atrás da outra. os caras tão jogando como se a camisa pesasse dez quilos, e o pior é que nem a torcida tá mais indo nos jogos porque sabem que vai ser mais sofrimento do que alegria. aquela arena linda do Itaipava, que já viu o Fernandão fazer milagres, hoje tá com mais choro do que festa — e olha que eu tava lá naquele 2008 quando a gente deu o caneco pra o Náutico no segundo turno, aquelas arquibancadas tremiam, hoje parece que tá vazia até no imaginário.
aí tu pergunta se exagero? olha só, o PraSempre1895 acertou em cheio quando falou daquele vizinho no elevador que ninguém cumprimenta — não é que o Sport tá fazendo gol ruim não, é que eles tão sumindo de vez. sete empates e duas vitórias em 38 jogos, cinco derrotas seguidas, 25 revés... isso não é falta de sorte, é time que parou de existir como equipe dentro de campo. quando o cara some assim, a gente nem lembra mais que ele tá ali — igual aquele moleque do almoço em Olhão que só pensava que futebol era marcar gols, esqueceu que defender também faz parte.
já vi coisa pior, sim, mas cada época tem a sua própria versão de time-invisível. lembro do Criciúma em 2004 quando veio com aquela campanha horrorosa e o povo só falava "pelo menos não toma goleadas monstruosas", mas o time tava lá, marcando um gol por jogo e tomando outro. o Sport hoje não tem nem esse consolo — tá levando uma goleada atrás da outra, e não é aquele tipo de derrota que o time segura por quarenta minutos e leva um gol no fim não, são goleadas que começam aos dez minutos e só pioram. isso sim é sumir do mapa: quando a torcida já tá indo embora antes do apito final, quando os caras do outro time nem se importam mais de marcar cinqüenta porque sabem que vão fazer cem fácil.
resumindo pra não te deixar no vazio, meu novo amigo: time invisível é aquele que some do jogo, que não incomoda ninguém nem pra marcar nem pra defender, que joga como se tivesse medo da bola. e o Sport de 2024 tá igualzinhinho a um cara no churrasco comendo pão seco no canto — ninguém nem lembra que ele existe até alguém lembrar que o prato dele ainda tá vazio há duas horas.
Já vi de tudo, pessoal.
Concordo em parte com os camaradas: não é que o Sport esteja "invisível" por acaso, é que ele assumiu um ritmo de time que se recusa a jogar. Sete empates e duas vitórias em 38 jogos não são frescura de estatística, são sete ou oito oportunidades desperdiçadas de pontuar quando o adversário tropeçou, mais dois lampejos que não chegaram nem perto de arrancar a torcida do sofá. Mas olhem a nuance: não adianta só dizer "é má fase", porque o que separa esse Sport de outras equipes que também afundaram é como a coisa se arrasta há temporadas — não é uma crise de duas semanas, é um padrão que já vem de longe.
O detalhe que me faz coçar a cabeça é o seguinte: quando um time leva 75 gols em 38 jogos, não dá pra jogar a culpa toda nos erros pontuais ou nas goleadas "normais" de quem caiu. Essa média de quase dois gols sofridos por partida já ultrapassou aquele limiar onde só incompetência estrutural explica. E não é exagero de quem gosta de drama: quando você soma 25 derrotas e ainda tem um saldo de -47, a coisa não é de "falta de sorte", é de algo mais profundo.
A tal da "invisibilidade" que o CatimbaRei trouxe não é só metáfora, é realidade nua e crua: quando o Sport entra em campo, ele some do jogo não porque o adversário é bom, mas porque a própria equipe desistiu de existir como projeto. Não adianta comparar com times que caíram no passado — o Braga em 2019 levou 80 gols, mas marcava 40; o Sporting em 2021 marcou 20 e levou 40, mas pelo menos não foi massacrado em cima de massacres. O Sport de 2024 marca 28 e leva 75, ou seja, está perdendo por uma média de 1,7 gol por jogo e ainda por cima mal consegueicar sequer um gol por vitória. Isso não é time que tropeçou, é time que já caiu antes do primeiro apito.
E a cereja no sundae: a possibilidade de ser o primeiro clube brasileiro a dois anos seguidos com mais derrotas do que gols marcados não é mero alarmismo, é matemática. Não são cinco derrotas seguidas que definem o destino, são as 25 derrotas somadas à incapacidade crônica de virar o jogo. Quando a máquina já está tão danificada que ninguém sequer tenta consertar, aí sim a gente fala de um time que sumiu — não porque os outros times são bons, mas porque ele próprio apagou as luzes do estádio antes do apito final.
xG > emoção.
ué, mas afinal o Sport já caiu ou ainda tá caindo aos poucos? já vi uns casos aí que até me fizeram rir de tão ruins... lembro de um tal do Paysandu em 2002, aquele time saiu de campo pra torcida vaiar até antes do intervalo, sabe? os caras iam pro vestiário como se tivessem perdido já o primeiro tempo, a galera jogava a toalha no gramado... mas pelo menos eles marcaram algum gol de vez em quando, né? uns três ou quatro no ano inteiro, coisa assim.
agora o Sport, coitado, tá numa situação que nem o Criciúma daquele ano ruim que o CatimbaRei falou — só que pior. não é só "não marca gol", é "leva dois ou três antes de qualquer um piscar o olho". vinte e cinco derrotas, setenta e cinco gols sofrido... isso não é time que caiu de escada, é time que já rolou ladeira abaixo e ainda por cima foi atropelado por um caminhão de cerveja. e olha que eu vi muito time ruim na minha vida, desde os tempos do Ribamar até aquele time do América que desceu com sete pontos em vinte jogos, mas assim... assim é de envergonhar até o moleque que só come pão sem manteiga no churrasco.
a história de dois anos seguidos com mais derrotas do que gols marcados soa bonito pra quem quer fazer drama, mas olha só: se a gente for contar nos dedos as vezes que isso aconteceu em Série A brasileira, não vai encher nem uma mão. eu mesmo lembro do Fluminense em 1998, mas eles tinham feito vinte gols na época — coisa que o Sport nem sonha mais. agora, 28 gols marcados contra 75 sofridos... isso aí é tipo marcar um gol de cabeça no lance inicial e depois tomar cinco de calcanhar até o fim do jogo. não tem jeito: quando a diferença é essa, não é falta de sorte, é falta de time.
e o pior é que não adianta a galera dizer "ah, mas cinco derrotas seguidas não são o fim do mundo" — não são mesmo, mas quando o time já vem de vinte e cinco revés em trinta e oito jogos, aí cinco seguidas é só a continuação do mesmo filme de terror. o estádio tá vazio porque ninguém aguenta ver mais sofrimento, a torcida tá com o pé atrás porque já viu esse filme antes, e os caras do clube ficam só empurrando com a barriga esperando a poeira baixar.
será que é sério? claro que é. mas será que é o fim do mundo? também não. times já caíram com menos sofrimento que isso — o Cruzeiro em 2019, lembra? eles tinham um ataque forte, mas a defesa tava pior que a do Sport agora, e ainda assim desceram. o negócio é: o Sport não tá nem brigando pra não cair direito, tá só tentando não se afogar enquanto ninguém joga salva-vidas. e o mais triste é que a galera já nem acredita mais que alguém vai jogar esses salva-vidas.