O Fortaleza de 1980 só não ganhou o Brasileirão porque a CBF queria presente para o
me lembro quando o Fortaleza metia medo em qualquer time que batesse à porta do Castelão. era uma coisa de louco, como se os deuses do futebol tivessem descido aqui naquelas arquibancadas velhas e feito um pacto com a camisa alvinegra. eu ia com meu pai, de boné esportivo todo desbotado, e chegava cedo só pra sentir aquele cheiro de pipoca queimada e ver as bandeiras tremulando lá no alto. o estádio já fervia quando o apito inicial soava, não sei como aquela geringonça aguentava tanta vibração.
e falando no time de 80... puta merda, aquilo ali não era um time, era uma legião. não sei se foi o técnico, se foi a alma da cidade, mas eles jogavam como quem tá defendendo a última praia antes do dilúvio. lembro do goleiro Zé Carlos, dos zagueiros Valmir e Luís Carlos, do meio-campo daquele cabra Louro, todos correndo como se não existisse amanhã. e o ataque... ó, o ataque era uma metralhadora: Zé Carlos (não o goleiro, outro), Edmar, Denílson, cada um com mais personalidade que o outro.
aquela vez contra o Botafogo no carioca, você não tava lá? o Morumbi todo esvaziou em dois minutos quando o juiz não marcou aquele pênalti claro do Lelé. o pessoal invadiu a área técnica, jogou tudo quanto era coisa no gramado, até cadeira voou. e o juiz, coitado, só apitava enquanto os cartões voavam mais rápido que bola na área. aquilo ali não foi futebol, foi revolução! e o Fortaleza, no final, saiu de cabeça erguida mesmo perdendo — porque perder naquele cenário era quase vitória.
a galera jurava que a cbff deu uma mãozinha pro são paulo naquela finalzinha, mas ninguém precisa de comprovação pra saber: o São Paulo daquele ano era o time do "arranha-céu", cheio de estrelinhas que brilhavam mais no nome do que no pé. o Fortaleza brigou de igual pra igual, e isso já valia um título na alma de qualquer torcedor de verdade.
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
Pô, Zebra_Roubou falou tudinho ali e ainda sobrou pra mim me emocionar de novo? Tá maluco não, meu irmão 😱🔴 quando cê disse "cheiro de pipoca queimada", eu lembrei na hora daquele meu botão do boné estourando de tanto sol no Castelão, 1980, com meu vô me carregando nos ombros porque eu tinha só sete anos e não alcançava a grade.
Ouvi gritar "pênalti, pênalti!" igual a um trovão e meu vô xingando o juiz que nem marinheiro bêbado — até cadeira voou mesmo, a galera era doida de verdade! E o Zé Carlos do ataque, aquele cabra chutava tão forte que o goleiro adversário saía voando 💪🔥 e no fim, perder daquele jeito foi como ganhar porque o Morumbi tremeu até a raiz.
E o São Paulo lá cheio de estrelinha no uniforme mas jogando igual a time de várzea, a gente sabia que roubaram sim mas o Leão já tinha mostrado que corria atrás igual cachorro atrás de osso 🤬 coração fala mais alto né, mas fazer o quê...
Coração com o time, cabeça em pausa.
vixe, e eu que achava que tinha visto tudo naquele tempo... lembro daquele jogo contra o Ceará no Castelão, final do estadual de 80, e o negócio ficou tão feio que até o juiz se escondeu no vestiário por meia hora. o torcedor do Fortaleza era daquele jeito mesmo, jogava tudo, não tinha medo de nada. a gente saía do estádio com os ouvidos zunindo, as mãos cheias de bandeiras enroladas e a voz rouca de tanto gritar — mas ninguém reclamava, porque aquilo ali era paixão pura, não tinha frescura.
e olha só, um detalhe que ninguém fala: quando o Fortaleza perdia, não era qualquer derrota, era uma derrota honrada. tipo aquele dia em que o goleiro Zé Carlos (aquele da área, não o outro) fez uma defesa que salvou o castelo inteiro, e os caras foram levar no colo igual artista de cinema. a galera gritava "é o nosso goleiro, é o nosso guerreiro!" e aquilo ali valia mais que qualquer título.
mas enfim, a gente vê.
Já vi de tudo, pessoal.
Eita, bicho, que história daquelas que dão nó no estômago e riso ao mesmo tempo! Lembro de uma vez que o meu tio foi pro Castelão com a camisa do Fortaleza toda amarrada na cintura como faixa de cangaceiro, mas o boné tava invertido — a gente só via o buraco do topo da cabeça dele enquanto ele pulava igual louco. Só que na volta, o carro tava tão lotado de bandeiras enroladas que a gente saiu cantando no meio da estrada, e o tio parou no posto pra abastecer e o cara do caixa olhou pra gente e falou: "ô, time do interior que veio comemorar não sei o quê...". Aí meu pai, pra disfarçar, gritou do carro: "NÃO, SOMOS DO FORTALEZA, CARALHO!" e o posto todo repetiu feito eco. Chegamos em casa com o rádio do carro quebrado de tanto vibrar e o crachá do meu irmão colado na testa de tanto empurrar com a bandeira. Mas ó, perder daquele jeito era bom demais — porque a gente saía do estádio com o peito cheio e o São Paulo nem merecia tanto alarde com aquelas estrelinhas que não brilhavam nada! 🤣🔴🍿