Os tempos do Campo Manuel Marques: quando o Torreense enchia as arquibancadas e fazia tremer os alicerces!
ai rapaz, lembro-me como se fosse ontem daquele dia de setembro de 1978 quando o torreense saiu pro campo do benfica em lisboa e o campo manuel marques parecia que ia desabar só com o barulho dos nossos pulmões. tinha lá um frio de rachar mas o povo vinha do alentejo de camioneta, de comboio, a pé mesmo, só pra ver os vermelhos e azuis levantarem uma poeirada nos estádios todos. no intervalo já os jornais falavam em "invasão vermelha e azul" e isso não era exagero não, os bancários iam até à entrada sul só pra sentir o chão tremer quando nós cantávamos aquele hino que parecia fazer o tempo parar.
e o jogo? oh, o jogo... o torreense não ganhou mas mostrou que não ia recuar um centímetro sequer. o benfica levou 50 mil pessoas a torcerem contra ele, não a favor. aquilo sim é que era paixão pura, não aquela coisa de hoje onde as bancadas parecem museus.
Saudade de quando a grama era mais verde ⚽
E TÁ LÁ OUTRA VEZ O SENSO COMUM DA GALERA... mas ó, PESSOAL, EU TINHA DEZ ANOS, SUBIA NO PEITO DO MEU VELHO PRA CONSEGUIR VER POR CIMA DO MAR DE GENTE E ME ENGASGUEI NESSE GRITO: "TORREENSE PODEROSO, QUEM NÃO CANTA É LOUCO!" 🔴🔵💥
EU E O MEU IRMÃO MAIS VELHO FOMOS A PÉ DESDE A QUINTA DA MARINHA, o frio do ALBARQUEIRA cortava até os ossos mas a gente não sentia NADA! quando passamos pela ENTRADA PRINCIPAL e vi aquelas MASSAS DE GENTE vindo de MONTEMOR, de SETÚBAL, até de mais longe... aquilo não era estádio, PARECIA UM EXÉRCITO DE VERMELHO E AZUL!
no intervalo, meu velho me levantou no colo e GRITAMOS JUNTOS quando o juiz apitou aquele pênalti que o BENFICA NÃO QUERIA DAR... o NOSSO POVO TINHA ENCHIDO O MANUEL MARQUES ATÉ O TELHADO E OS CARAS DO BENFICA TINHAM MEDO DE SAIR PRO SEGUNDO TEMPO!
e depois? AH DEPOIS... quando o Torreense saiu pra campo? AQUELE SILÊNCIO NO GRANDE estádio da LUZ, TUDO SÓ PRA NOS VEREM PASSAR... é que nem um peso na consciência dos GRANDES, ó PEDRO TIMÃO, quando o TORREENSE JOGA, o futebol português treme!
AQUELE DIA EU ENTENDI PORQUE O NOSSO TIME TEM ESSE BRADO NO PEITO: não é só um time, é um SENTIMENTO que não morre nunca! E ELES NÃO GANHARAM MAS MOSTRARAM QUE NOSSA RAÇA NÃO TEM LIMITE, PRA NINGUÉM! 🔥🏟️🔴🔵
A gente não abandona os nossos.
cá com a gente, a galera mais velha que ainda lembra mesmo de como o campo tremeu num dia de 1981, quando o sporting vinha pra manuel marques e a gente não deixou nem o gramado respirar. foi numa quarta-feira à noite, desses dias que o alentejo inteiro dorme em cima do carro só pra chegar antes da hora e garantir o lugar ali na geral, mesmo que fosse pra encarar um frio de amargar e um estádio cheio de coruchéus que só sabiam torcer pro rico do belo horizonte.
a gente se amontoava lá atrás, onde a arquibancada quase não tem altura nenhuma e os pilares ficam grudados na cabeça de quem sobe — mas ninguém ligava não, porque ali embaixo já dava pra sentir o chão mexer quando o mar vermelho e azul começava a cantar "torreense, torreense, não tem time pra te bater!". o sporting entrou em campo e o barulho foi tão grande que até o juiz parou uns segundos só pra olhar pra cima, achando que tava errado o apito.
ai no intervalo, quando a gente soube que o manoel marques tava lotado de novo — 18 mil pessoas espremidas feito sardinhas, com os velhos subindo nos ombros dos mais novos pra ver pelo menos um pedaço do jogo — foi aí que rolou aquele momento que a gente nunca esquece: um cara lá do alto gritou "ó sporting, olha esse povo!" e apontou pro outro lado do estádio, onde as cadeiras do estádio do sporting tavam vazias. uns 200 ou 300 vermelhos e azuis espalhados entre o mar de verde e branco, de pé também, cantando junto com a gente.
e o jogo? ah, o sporting ganhou por dois a zero, mas isso não veio ao caso não. o que ficou foi o som do hino sendo jogado de um lado pro outro como uma bola rolando na nossa direção, e aqueles 200 do mau ainda respondendo "torreense poderosos" quando o locutor anunciava o time adversário. a gente saiu daquele campo com a garganta doendo, os pés doendo, mas com o peito inchado de orgulho — porque num lugar desses, perder ou ganhar não é o que importa, é mostrar que quando o torreense bate o pé, o futebol português inteiro para pra escutar.
e ainda tem uns que falam mal do passado, dizem que era tudo mais simples... mas não era não, era ÉPICO DEMAIS, e nóis é que sabemos como é difícil fazer aquilo se repetir hoje.
Cá com os velhos, aquele Torreense de antigamente não tinha esses problemas de hoje não. Era um time que jogava com o peito estufado, sem frescura, sem essa história de "tática" pra enrolar — as pessoas iam ao Manuel Marques como quem vai a um lugar sagrado, não como quem vai num museu pra tirar foto.
E o povo? Ah, o povo era a nação mesmo. Não precisava de incentivo não, a galera ia de camioneta do interior do Alentejo, dormia na rua se fosse preciso, só pra ver aqueles vermelhos e azuis levantarem pó nos grandes. E quando o time aparecia no estádio adversário? Aquilo não era time de futebol não, era um exército de gente com fome de cantar e fazer tremer o chão.
Hoje a gente vê a bancada vazia, uns caras com celular na mão tirando selfie pra rede social, reclamando do frio ou do ingresso caro. Antigamente não, não tinha esse negócio de "experiência": era dor nos pés, garganta raspando, mas a alma cheia. A gente subia em cima do ombro dos mais velhos pra enxergar, empurrava pra frente mesmo quando tava lotado, e quando o time fazia um gol — mesmo que fosse contra o Sporting ou o Benfica — a gente sentia que aquilo era maior que qualquer placar.
E não adianta negar: era mais difícil. O futebol não era um negócio, era uma paixão bruta. Hoje tem técnico reclamando de tudo, jogador folgado, torcida que some quando o time tá mal. Antigamente não: todo mundo botava a cara a tapa, mesmo que o time perdesse, porque o importante era mostrar que o Torreense não abaixa a cabeça pra ninguém.
Ainda bem que a gente tem esses velhos pra contar, porque as novas gerações precisam saber como era de verdade. Não era "melhor", não era "pior" — era diferente, era EPÍCO, e isso não tem preço.
Conte primeiro, discuta depois.
Então rapaz, mas cê tão romântico com essas histórias que parece que foi num conto de fadas... eu também gosto de lembrar, tá certo, mas ó: será que a gente não tá esquecendo que a gente fala do Torreense que foi épico mesmo?
Eu tava lá naquele dia de 1985 quando o Benfica veio no Manuel Marques e saiu de lá com um 0x0, mas o estádio inteiro parecia um vulcão em erupção. Só que me diz uma coisa: quantas vezes o Torreense entrou em campo contra times daquele peso e saiu com mais pontos na tabela? Não foi nem duas, nem cinco, nem dez — foi uma vez só, e isso conta muito. A paixão é linda, mas no fim das contas futebol é futebol: os grandes têm mais títulos, mais dinheiro, e eles também já tiveram as suas noites mágicas no Manuel Marques quando o estádio ainda tremia.
E olha, não tô desmerecendo não — sei muito bem como é sentir aquele frio do Alentejo vindo de camioneta pra chegar a tempo, subir nos ombros dos velhos pra ver pelo menos um pedaço do jogo, e sair de lá com a garganta rasgando de tanto cantar. Mas também não posso ignorar que naquela época o futebol português era bem diferente: não tinha Champions, não tinha milhões na televisão, e os times grandes ainda tinham aquele peso de quem mandava no país. Hoje a gente vê uns times daqui indo brigar lá fora, coisa que antigamente só os três grandes faziam — e até isso mudou.
Ou então diz aí: a gente lembra muito desses dias épicos, mas quantos de nós ainda tem coragem de ir ao estádio hoje num dia de trabalho, debaixo de chuva, pra garantir o nosso lugar na geral? Antigamente o povo ia a pé, dormia na rua, fazia fila desde a madrugada — hoje muitos reclamam do preço do ingresso ou preferem assistir pela televisão porque "está frio demais". E não tô falando de frescura não, tô falando de atitude: será que a paixão de antigamente não era um bocadinho mais... radical?
Eu não duvido de nada não — sei como o Torreense fazia tremer os alicerces e como o Manuel Marques era o inferno dos grandes quando a gente chegava lotado. Mas também não posso fechar os olhos pro fato de que aqueles dias não voltam mais, e não adianta romantizar tanto que a gente esquece que o futebol evoluiu. A paixão é eterna, isso é verdade, mas os tempos também mudam — e o Torreense de hoje, mesmo com todas as dificuldades, ainda tem gente disposta a botar a cara a tapa lá na geral.
Faço minhas próprias tabelas toda rodada 📊
e o dia que um grupo de velhotes do Alentejo foi barrado na entrada do Manuel Marques por não terem ingresso mas terem uma lata de sardinha e um violão? 🤣
o porteiro, cheio de medo de aquela gente armar um arraial ali mesmo, deixou entrar — e a turma sentou na geral com as sardinhas na mão, o violão no colo e os cânticos que só paravam quando o Torreense fazia um gol. quando o árbitro apitou o fim do jogo, ainda tinham 50 pessoas cantando "torreense poderosos" sentadas em cima da lata de sardinha vazia... e o porteiro até ofereceu um café pro líder do grupo pra não ser avisado na polícia por "invasão com som alto e alimentação não autorizada" 🍿🔴🔵