Daquelas tardes mágicas no Manuel Marques que até o alentejo parava para aplaudir!
ai, o que é que eu não daria pra estar naquele Manuel Marques de 85 outra vez... lembrei-me logo do dia em que o Torreense entrou no campo como se fosse um exército de rapazes que não tinham medo de nada, e o alentejo todo se calou para ouvir os nossos urros. joguei eu naquelas bancadas quando era miúdo, e ainda hoje me lembro daquela tarde em que o Benfica levou com dois a zero antes do intervalo e saiu de lá com a cauda a abanar. a molecada nem viu isso, mas nós, os que lá estávamos, nunca mais esquecemos — o chão tremer, os guardas a dizerem que nunca tinham ouvido tanto barulho numa cidade tão pequenina. aquilo não foi futebol, foi uma aula magna de paixão, e o Torreense pôs todos a aprender.
Estou aqui há mais tempo do que alguns torcem.
cara, EU TINHA 12 ANOS e ia pela primeira vez naquelas arquibancadas com o meu pai, QUE BÊBADO DE ALEGRIA pulou cada escadaria daquele estádio! 🔥💪 o Manuel Marques parecia um vulcão quando o Torreense meteu o primeiro, o segundo, o golo do abraço do Faria aos 42 minutos... EU GRITEI TANTO QUE ATÉ OS GUARDAS DO ESTÁDIO ME OLHARAM COM RESPEITO!!! depois saiu na rádio que o alentejo parou tudo pra ouvir as transmissões porque a gente não parava de cantar, nem quando o árbitro marcou escanteio a gente parava! ❤️🔴 hoje ainda tenho a camisa daquele dia toda amassada de suor e cerveja seca... EU JURO QUE SEMPRE QUE FECHO OS OLHOS EU VEJO AQUELA IMAGEM DO BENFICA SAINDO DE CABISBAIXO E O NOSSO TIME EM RODA PRA PEDIR DESCULPA AO ALVORADA!!! VAMOS TER MAIS UMA DESSAS AÍ, MEUS LOUCOS!! 🎉🔥
Coração com o time, cabeça em pausa.
esse negócio do alentejo parar pra escutar o Manuel Marques não era brincadeira, não... lembro de um dia que até o meu avô, que era daqueles que só falava no tempo do grande Bento, chegou em casa todo vermelho dizendo que "hoje o rádio tocou mais forte do que os sinos da igreja"! o velho tinha 70 anos, mal andava direito, mas naquele dia levantou da cadeira como se fosse tomar um café com o diabo e foi direto pro sofá gritar gols junto conosco! a vizinhança toda veio pra porta da minha casa, uns com garrafas de vinho, outros com as crianças no colo, e o bicho pegou de vez quando o Torreense fez o terceiro... o meu avô jogou o chapéu pro ar e falou alto, bem alto: "esses meninos não jogam, eles batem!" e juro que naquela hora ninguém riu — até os cães da rua pararam de latir, tudo só pra ouvir o nosso grito!
e olha que coisa: naquele 1985 tinha um rapazinho do time, o Seca, que era tão magrinho que a gente brincava que ele comia vento pra sobreviver... mas quando ele marcou o segundo gol, correu pro fundo do estádio e pulou naquelas grades que davam pro campo e ficou pendurado feito um macaquinho, os braços pra cima, gritando "é daqui que a gente come, ó!"... os seguranças não sabiam se iam tirar ele ou aplaudir! depois do jogo a gente foi tomar uma no Bar do Zé, e o Seca apareceu com a camisa rasgada, o rosto todo pintado de tinta do raio-x (aquela que a galera jogava no ar), e ainda quis pagar a primeira rodada pra todo mundo... meu deus, como é que a gente ia esquecer uma coisa dessas?
Já vi de tudo, pessoal.
Rapaz, vocês tão me acordando umas recordações que eu nem sabia que ainda doíam tão fundo de tão boas que são.
Olha, aquele time de 85 não era só onze caras num campo — era uma nação inteira vestida de vermelho, e o Manuel Marques nem parecia um estádio, parecia o coração da cidade batendo fora do peito. Jogadores como o Seca, aquele magrinho que comia vento e depois fazia gols que davam nó no estômago do adversário, aquilo não tinha explicação não: era tipo ver o Pelé jogar no quintal da sua casa. Hoje a gente tem time profissional, isso aí ninguém tira, mas cadê aquele cheiro de terra molhada misturado com cerveja barata no algeroz? Cadê o barulho dos cães latindo junto com a multidão? Cadê o chão tremendo porque cem pessoas resolveram pular juntas naquelas arquibancadas que gemiam mais que meus joelhos hoje?
O Torreense atual joga certinho, não tem como reclamar — técnico novo, meio que reorganizando as ideias, jogadores que chegam com vontade de mostrar serviço. Mas onde tá aquele bicho que saía correndo pro fundo do estádio pra gritar "é daqui que a gente come"? Onde tá aquele cara que levava tombo de propósito pra fazer o time se levantar? A galera hoje é mais comportada, respeito, mas também não grita tanto que os guardas começam a anotar nomes. Antes era paixão bruta, desses que deixam marca na pele; agora é respeito pela camisa, que também é bonito, mas falta um pedaço daquele fogo que fazia o alentejo todo parar pra escutar.
E põe respeito nisso: o time de agora tem potencial, não tô falando besteira não. Mas quando eu vejo o Cavadinha falando daquele dia em que pulou cada degrau com o pai, e o Zebra falando do chão tremer como se fosse terremoto, ai meu Deus... aquilo sim é patrimônio da gente. patrimônio que a gente não compra, não vende, não renova não: é só coisa que a gente guarda dentro do peito e que, quando abre a boca pra contar, faz os olhos brilhar como se fosse ontem.
Então, resumindo de quem já viu dos dois lados: o time atual tá firme, tá sério, tá honesto — mas o de 85 era o Torreense não jogando, o Torreense batendo. E bater, rapaz, bater como aquele magrinho do Seca pendurado na grade, é coisa que a gente não faz mais igual.
Contexto vale mais que um número solto.
Ó meu, lembrei agora do dia que o Seca veio pra bancada e disse que ia mijar nos calções do árbitro se não validassem aquele golo que o VAR de 85 fazia questão de engavetar! 😂🔥
O coitado tava cheio de razão, o juiz tava mais perdido que cego em tiroteio, mas o homem agarrou o apito como se fosse a chave da sua casa e não deixou passar mesmo. Daí o Seca, que já era magrinho feito um cabide, desceu a bancada correndo, pulou a grade como se fosse cair no colo da mãe e berrou pro estádio todo: "OLHA AÍ, Ó! ESSA PORRA NÃO É GOL, É OBRA DE ARTE!" 🎨💦
E sabe o que aconteceu? O juiz engoliu em seco, olhou pro Seca com cara de quem ia chorar, e no fim ainda deu o golo! Depois disseram que foi por pena... mas eu prefiro acreditar que foi arte pura!
Aquele dia ainda rende uma história: o Seca pagou a rodada seguinte com a nota toda amassada e suja de terra, e ainda deixou o troco na mesa do Bar do Zé só pra assustar o pobre homem. O cara só pôs o dinheiro no bolso depois que a gente garantiu que ia guardar a nota pra história. E até hoje ela tá lá, atrás do balcão, plastificada igual pintura de museu! 🖼️🔴
Segura minha cerveja que a galera vai precisar tomar mais uma pra comemorar esses tempos! 🍻🤣
Sou o único sério aqui — e olhe lá.