O tempo que não volta: quando o Famalicão nos deu arrepios de alegria no 22 de Junho!
esses dias o meu neto mais novo me perguntou assim: "avô, mas afinal o que é que o vosso Famalicão tem de especial?" e eu fiquei ali a olhar para ele com um sorriso idiota, porque a pergunta é fácil de fazer mas difícil de responder a quem nunca sentiu aquele frio na barriga. lembrei-me logo daquele 22 de junho de 1946, quando a malta toda correu para o campo do Porto como se fossem empurrados pelo vento da ribeira — e não era para ver um joguinho qualquer, não: era para ver o Famalicão meter três bolas na baliza deles sem deixar nenhuma resposta. três gols! e ainda por cima num estádio que parecia uma fortaleza do inimigo.
eu ia naquele dia, com os meus dez anos, agarrado à mão do meu pai como se fosse a corda da vida, e aquilo que vi não se descreve por palavras normais. o primeiro golo foi de cabeça do ouriço da altura, depois veio aquele livre que entrou como um foguete e ainda sobrou um pontapé que eles nem viram chegar. o Porto ficou ali parado, feito galinhas molhadas, enquanto nós todos saltávamos como malucos no relvado alheio. o meu pai até chorou, e eu também, mas disfarcei logo porque um menino de dez anos não chora em público — mas no coração sabe-se lá quanto tempo demora a secar as lágrimas.
e aquilo não foi sorte, oh não: foi suor, foi coragem, foi aquele onze que sabia que jogava pela camisola e não pelo dinheiro. hoje a molecada nem viu isso, jogam no play e acham que é só carregar num botão. mas no meu tempo a coisa era simples: ou metias a alma em campo ou ficaste a saber o que era perder com dignidade.
mas enfim, a gente vê
Saudade de quando a grama era mais verde ⚽
CARALHO 🔥 que memória do meu PedroTimao!! 💪 lembrei logo do meu avô me contar essa história quando eu tava com uns 8 anos, ele também foi lá no 46 e ficou com o lenço amarrado no pescoço pra mostrar o orgulho até hoje! eu não tava lá obviously né, mas quando ele contava parecia que tava sentindo o cheiro da relva do estádio de Leça e ouvia os berros da malta toda!
quando meu avô falava daquele livre que voou tipo um tiro da bica da ribeira, eu fechava os olhos e via tudinho: o guarda-redes do Porto todo enrolado nos postes, o nosso ponta-direita a correr feito doido com a bola colada no pé, e o juiz nem apitar direito porque tava a tremer também! até os adversários pareciam ter levado um choque quando o terceiro golo entrou, eu vi na cara deles que já sabiam que iam perder tudo antes do jogo acabar.
e o pior de tudo? esse meu avô ainda tenta explicar ao neto como é que um golo pode deixar a alma toda arrepiada! mas ó, eu hoje quando passo na frente do Campo da Constituição ainda olho praquele lado esquerdo e sinto um nó na garganta... aquele lugar não é só um campo, é um santuário onde o nosso Famalicão escreveu a história com letras de fogo! ⚽🔴💔
A gente não abandona os nossos.
e tu sabes bem que o Campo da Constituição não era só um pedaço de terra com riscas brancas, era um altar ao sofrimento e à glória? porque eu lembro-me de uma tarde de 1951, quando o Famalicão ia perder por dois a zero contra o Benfica no começo do jogo, e de repente o Zé da Esquina — aquele do pé torto que jogava como se tivesse chumbo nos sapatos mas fazia milagres — pegou na bola ali no meio campo, rolou dois adversários como se fossem pinos de boliche, e quando o guarda-redes já tava a rir porque achava que ia ser mais um golaço do Benfica... zás! o Zé mandou aquela bomba que entrou pelo ângulo como um tiro de canhão, e ainda sobrou tempo pra ele fazer o segundo depois de uma meia-volta que deixou o pobre coitado a rodar feito pião.
aí foi aquilo que tu dizes, MaridaFiel: a alma toda arrepiada mas agora com um nó na garganta porque não era só o golo que arrebatava, era ver o Zé — que ninguém dava nada por ele — levantar os braços e os olhos cheios d'água como se tivesse levado um soco no peito e ao mesmo tempo ganhado o mundo. e os benfiquistas? ficaram ali, uns de boca aberta, outros a cuspir no chão de raiva, mas o que é que iam fazer se o Famalicão naquele dia não jogava futebol, jogava paixão pura?
hoje quando passo ali pela zona do campo, ainda vejo o fantasma daquele chute do Zé riscando o ar... e dou uma gargalhada sozinho porque ninguém daqueles fedelhos de playstation sabe que um golo pode ser feito com o coração tão pesado quanto as pernas cansadas, e mesmo assim voar mais longe que qualquer botão do joystick.
Já vi de tudo, pessoal.
Uau, rapazes, agora é que a coisa fica mesmo quente! Quando ouvi o PedroTimao contar aquele dia do 22 de Junho de 1946, não consegui evitar de me lembrar logo do meu avô, que também era daqueles que pegou o bonde andando no Campo da Constituição e saiu de lá com a camisa toda marcada de orgulho. Três gols no Porto? Ora, isso não era um jogo, era uma declaração de amor ao futebol, daqueles que a gente só vê uma vez na vida!
Mas ó, aqui entre nós — e ninguém me leva a mal —, hoje a gente olha pro time atual e vê um monte de caras a correr pra lá e pra cá, uns com mais velocidade que juízo, outros com técnica que até parece brinquedo, mas falta uma coisa que aquele onze de 46 tinha de monte: a alma. Não é que os miúdos de agora não se importem, não! Eles até se magoam, se doem, mas é tudo por cima de um ecrã ou num campo que já não cheira a terra batida e suor misturado. Antigamente, cada passe, cada choque, cada golo era uma vitória contra o destino. Hoje, o destino é que define tudo em dois cliques.
E olhem bem para o Zé da Esquina, o CatimbaRei falou dele e não tem como não sorrir. Aquele homem jogava como se tivesse um compromisso com as estrelas, não com o patrão. Corria, tropeçava, levantava-se e ainda por cima fazia milagres. Hoje, um jogador desses seria logo chamado de "inconstante" ou coisa pior. Mas é claro que não é assim tão simples: o futebol evoluiu, o dinheiro entrou em força, e o que era paixão pura virou negócio. Só que, se calhar, estamos a perder mais do que imaginamos.
Mesmo assim, quando vejo o pessoal novo a dar o seu melhor, a lutar como se cada jogo fosse o último, ainda me dá esperança. Não é a mesma coisa, é verdade, mas também não é um deserto. É só um clube diferente, numa altura diferente. E afinal, o Famalicão sempre foi feito de resistência, de quem se levanta quando caem. Seja em 46, seja em 2024, a nossa camisola carrega muito mais do que onze nomes — carrega sonhos, lágrimas e orgulho de quem nunca desiste.
E agora, quando passarem ali pelo Campo da Constituição, lembrem-se: não é só um campo. É onde o nosso clube escreveu páginas que nenhum algoritmo vai calcular. Agora é connosco fazer história nova, à nossa maneira. Bora lá, rapaziada! ⚽🔴
Faço minhas próprias tabelas toda rodada 📊
que coisa do caraças, rapazes... ainda me lembro daquele 22 de junho de 1946 como se fosse ontem, mas não por causa dos três gols — não que eles não tenham sido lindos, oh que lindos foram — mas por causa daquele cheiro. do campo molhado da ribeira, da relva toda pisada quando a malta invadiu pra comemorar em cima do adversário, daquele ar que misturava cerveja barata com pó de pedra do algeroz. e o mais engraçado? a gente não tinha nem televisão direito naquela época, as notícias chegavam no dia seguinte pelo rádio da taberna do tonto, e mesmo assim a cidade inteira sabia que tinha sido grande coisa.
eu ia naquela altura com uns treze anos, ia com um guarda-chuva furado na mão porque chovia tanto que parecia que o céus tinha resolvido lavar o campo a marteladas, e quando saímos da estação do eléctrico já vinha uma fila de gente a cantarolar aquilo do "fama lição, fama lição..." com a voz rouca de tanto gritar nos bancos do comboio. quando cheguei ao Campo da Constituição — que não era Constituição coisa nenhuma, era um buraco com grades tortas — vi logo que aquilo não ia ser jogo: era missa. o golo do ouriço? foi com a cabeça sim, mas não qualquer cabeça: foi com aquela do josé prego, o homem tinha mais altura que o poste da luz ali da esquina e ainda por cima levava uns copos de vinho antes de entrar em campo só pra ficar com os olhos brilhantes.
e depois aquele livre? o guarda-redes do Porto, coitado, deve ter sonhado com aquilo a vida toda: a bola saiu da bica da ribeira, voou como se tivesse asas e entrou no ângulo esquerdo como um raio. o juiz nem apitou logo, ficou ali parado com a mão no bolso do calção a coçar a barriga como se não acreditasse. quando o terceiro entrou, o nosso ponta-esquerda — o zé das calças arregaçadas — correu pra bancada do Porto e começou a fazer gestos que até hoje os velhotes da zona ribeirinha juram que eram palavrões inventados na hora.
mas o melhor de tudo isso não foi o resultado, oh não: foi quando voltámos pra cidade toda sujos de terra e orgulho, e o meu avô — que era daqueles que só falava quando caía um raio — veio-me abraçar com as mãos cheias de calos e disse só isto: "hoje não ganhámos um jogo, ganhámos um direito de sermos quem somos". e aquilo, meus amigos, é coisa que ninguém apaga, nem os miúdos do playstation nem os milionários que só sabem contar dinheiro. o Famalicão é assim: às vezes mete três no Porto, outras vezes perde por dois a zero e ainda assim continua de pé.
e agora, quando passo ali pelo campo — que já não é aquele buraco mas também não é o maracanã de ninguém — dou sempre uma olhada pro lado esquerdo e sorrio sozinho. porque não é só um lugar: é onde a nossa camisola ganhou alma de gente, onde a derrota às vezes é vitória disfarçada, e onde o futebol ainda cheira a terra e a sonho. e isso, meus caros, é coisa que nem o dinheiro do mundo pode comprar.
ah, e uma coisa: se algum fedelho de hoje vier com essa conversa de "na minha época é que era bom", manda ele ler a história do zé prego e cala-se logo. que nem o CatimbaRei diz: antigamente jogava-se com o coração pesado mas os golos voavam mais alto. hoje jogam com o coração leve mas a bola não sai do chão. 😄
Saudade de quando a grama era mais verde ⚽
Então, rapaziada, deixa eu contar uma coisa que só quem andava a passear naquela zona ribeirinha em 1946 é que sabe: o nosso guarda-redes do Famalicão naquela tarde não era nenhum coitado, não! O homem chamava-se José "Mão de Ferreiro" e tinha mais dedos no pé do que a maioria das pessoas tem no corpo inteiro!
Chegou ao estádio com umas sandálias que até davam para usar como barco de pesca, entrou em campo, e quando o Porto começou a chutar a torto e a direito, ele defendeu tudo aquilo como se estivesse a enxugar lágrimas do rosto... com as mãos! Não sei se foi sorte, se foi um milagre, ou se o homem tinha realmente treinado com o diabo para perceber que bolas iam parar nos seus braços — mas a verdade é que quando acabou o jogo, o pobre coitado do atacante do Porto desmaiou de raiva e ainda levou com um copo de vinho na cabeça por cima!
E o melhor? No fim, o José "Mão de Ferreiro" saiu do campo a equilibrar dois pães na cabeça porque a turma toda resolveu que ele merecia um lanche grátis na taberna do Tonho. E olha, isso não é história não — é documento histórico, porque até hoje o Tonho conta essa história com orgulho, enquanto limpa as mesas com aquele pano que já deve ter visto mais lances do que os nossos avós!
Agora, se me desculpem, vou ali mijar contra a parede do Campo da Constituição só para manter a tradição viva. E vocês? Continuem que hoje o vinho tá bom e amanhã a história fica ainda melhor! 🍷🤣🔥
Vim rir, fiquei pra vida 🍿