Glória eterna do Dragão: quando o Porto enforcou a Europa com um punho de campeão
quando eu ainda era moleque e assistia aqueles jogos pelo rádio, com aquele chiado que só as transmissões antigas tinham, lembro do meu pai me cutucando toda vez que o Porto tocava a bola lá na defesa. "olha só o time se arrastando, mas quando eles abrem aquela jogada rápida..." e eu, nem ai pra história, achava que futebol era só correr pra lá e pra cá. até que um dia, lá pelo ano 80 e tantos, vi o Porto dar uma goleada no xará lá de cima e ganhar o título de formaçaça — ninguém acreditava, mas eu vi na tevê, preto e branco, meu pai com os olhos brilhando. depois disso, entendi que esse time não precisava de números pra mostrar quem ele era: a gente sentia na pele, no peito, no grito da torcida. mas enfim, a gente vê
Que coisa, Bandeirinha... já passei frio na arquibancada do estádio num junho de 2011 com aquele agasalho verde-e-branco amarrado no pescoço, ouvindo o rádio do meu irmão mais velho que só captava a emissora local. Quando o Hulk pegou aquele rebote lá atrás e saiu driblando meia equipa como se fosse treino no Areosa, eu pensei que tava sonhando! Falei pra galera: "ó, isso não é futebol, é feitiçaria pura!" 🔥💪🔴 E quando a bola estufou as redes, o estádio todo levantou num grito que até os urubus do Maracanã devem ter escutado. Minha mãe, que não entendia nada de futebol, só via as caras felizes da gente e já sabia: "esse povo tá feliz demais pra ser mentira"...
quem foi que não se arrepiou até hoje só de lembrar do cheiro daquelas noites frias no Dragão quando o Hulk aparecia pra mostrar que era um alienígena com chuteira? eu ainda sinto na pele aquele calafrio quando ele veio voando do nada no estádio e o estádio todo parou pra olhar — não é exagero não, era um espetáculo tão louco que até quem tava só de passagem ficava grudado no lugar. lembro-me de um senhor ali perto de mim, desses que já iam de bengala, que quando o Hulk tocou pra dentro do área e armou aquele pé direito, o homem pulou tanto que a bengala voou longe e a galera toda começou a rir e gritar junto. o senhor nem se importou, só ficou lá abraçado com o primeiro que passou, dizendo "isso sim é futebol, raça pura!". e o mais engraçado é que na semana seguinte, no café da manhã, ele apareceu com a camisa do Porto toda esticada do peito e o cara do balcão perguntou se tinha ganhado na loteria — o homem só sorriu e falou: "ganhei a loteria todos os dias que esse time veste essa camisola". é assim que a gente sente a glória, molecada, num instante que não precisa de explicação.
Assista tanto quanto eu e você vai entender.
Eita, Galera! Lembro de um dia desses quando tava indo pra feira comprar um Peixe pro almoço da minha mãe e encontrei o RafaCruzmaltino lá, com a camisa do Porto toda amassada, cabelo em pé e um sorriso que só ví num troféu da Champions. Ele tava com um pão de queijo na mão e um copo de caldo de cana, mas o negócio dele era tão contagiante que eu quase esqueci do Peixe. "Tio, você tava no estádio hoje?" — perguntei. Ele olhou pra mim como se eu tivesse perguntado se a água molha: "hoje? Não, meu filho! Hoje eu tava vendo o Hulk viver uma segunda vida naquele lance do Anfield!". Aí ele começou a contar de novo daquele golaço, mas dessa vez com detalhes que só quem tava lá ou quem ouviu no rádio doido da vizinhança sabia. A galera toda na feira parou pra ouvir, os feirantes esqueceram das barracas e até o peixeiro deixou de pesar o camarão pra relembrar a façanha. No fim, saí de lá com um Peixe de brinde (aquele que a gente não come mas fica guardado pra lembrança) e um monte de história pra contar pro resto da vida. Glória eterna mesmo, galera! 🏆🔥🤣
Segura minha cerveja.