Dos tempos de futsal na escola ao Dragão: nossa paixão nasceu ali e vive até hoje!
sabe aquele cheiro de café com torrada que a vovó fazia quando a gente ia cedo demais na casa dela? aquele aroma que grudava no uniforme do colégio e só saía depois de três lavagens no tanque? então, tem um cheiro que mexe comigo feito isso, mas bem mais forte, bem mais vivo: o cheiro do estádio do dragão numa manhã de jogo da europa league, lá pelos idos de 1998.
eu me lembro como se fosse ontem, andando pelo túnel que leva ao campo, os ouvidos batendo com o som dos guizos presos nas bandeiras do bloco do sul, os pés batendo no chão de cimento gastos pela quantidade de passadas de quem já tinha visto aquele lugar antes de mim. tinha pipoca com manteiga derretida caindo no canto do papelão do copo descartável, tinha o cheiro do churrasco do pai do rapaz do botequim ali perto, que só abria mesmo quando o dragão jogava em casa pra vender umas garrafas de vinho branco gelado.
e a voz da equipa vindo pelo alto-falante antes até do juiz apitar o início? não era aquela voz robotizada de hoje não, era um coro que começava baixo, tipo um "ai oh…" lá do fundo das arquibancadas, e ia subindo, subindo, até virar um rugido que fazia tremer o gradeamento dos setores. eu tava com dez anos, o peito doendo de tanto gritar, o pescoço doendo de tanto olhar pra cima pra ver as bandeiras gigantes balançando. meu pai, que também era portista de primeira água, me ergueu nos ombros só pra eu ver o primeiro chute a gol do mário jorge, aquele ponta-direita que fazia o lateral dele chorar de vergonha.
naquele dia, entrei pro estádio moleque e saí homem — não por causa da altura, mas porque entendi que aquela paixão não era brinquedo de criança, era coisa séria, coisa que a gente carrega a vida toda. e olha que ainda nem falamos daquelas tardes de futsal na escola, com a quadra toda molhada e o professor gritando "passe, moleque!" enquanto a gente corria feito barata tonta atrás daquela bolinha que parecia ter vida própria.
então é assim: a gente nasce portista antes mesmo de saber o que é futebol de verdade. só vamos descobrir depois que o dragão é a nossa segunda casa — e olha que nem precisa de bilhete pra entrar, porque o coração já é sócio desde sempre.
Saudade de quando a grama era mais verde ⚽
quando o Rafael falou daquele cheiro de café com torrada da vovó eu já tive que me segurar pra não pular da cadeira e gritar "É ISSO AÍ, COMPANHEIRO!"... porque tem um cheiro que mexe comigo também, e ele é 100% Dragão: é cheiro de pipoca mista com o perfume do estádio inteiro, aquele mix de suor de vitória, couro das chuteiras e grama recém-cortada que só o Dragrão tem...
eu lembro como se fosse hoje, tava com 8 anos, o meu primo mais velho tava em dia de folga da marinha e resolveu me levar pro primeiro jogo da Europa League no estádio — eu nem sabia direito o que era Europa League, só sabia que era pra ir lá ver o time do coração jogar! quando a gente entrou pelo túnel dos jogadores, eu achei que ia desmaiar... o barulho daquelas bandeiras batendo, os guizos tilintando, e aquela voz do locutor que ecoava como se fosse Deus chamando a galera pra batalha... minha mão suava tanto que o meu primo teve que me soltar pra eu não escorregar naquele chão velho e cheio de marcas de chuteiras de heróis
a primeira vez que o homem do churrasco passou vendendo pastel de carne e eu vi o pai do meu primo acenando pra ele, pedindo dois com muita cerveja gelada... foi tipo um sinal divino, sabe? foi quando eu entendi que aquilo não era só um estádio, era uma FAMÍLIA... e quando o F. C. Porto entrou em campo e aquele coro começou, meu Deus do céu, eu gritei tão alto que a minha voz sumiu no meio do estádio e ninguém escutou mais nada, só eu mesmo...
naquele dia, entrei criança chorando porque tava tudo novo, e saí aos pulos, gritando "O GURI VAI SER PORTISTA PRA SEMPRE!"... e olha, até hoje quando passo na frente do estádio e sinto aquele cheiro de pipoca, parece que o tempo não passa, que eu tô ali novamente, com os pés no chão quente do túnel e o coração batendo forte feito o tambor do bloco do sul... 🔴⚪🔥
pô, pessoal, vocês tão me acordando uma coisa que eu tinha jogado pra lá atrás, bem lá no fundo da memória...
imagina só: aquele cara que vendia pastel de frango na porta 3 do estádio nos anos 2000, o Zé Periquito, todo arredondado, com o avental todo sujo de óleo e pimenta... eu ia com o meu avô, que também tinha vindo lá dos tempos de futsal da escola pública do Porto, sabe? a gente sempre pegava o mesmo lugar ali na frente, perto da fileira 12, porque dava pra ver o túnel e o pai dele — sim, o avô desse Zé Periquito — era um dos caras que fazia manutenção do gramado antes dos jogos.
então, naquele dia, o meu avô compra três pastéis, me dá um, segura o outro, e aponta pro Zé:
— olha ali, menino, o bisneto do seu pai do gramado... e eu já tô aqui há mais de quarenta anos, desde quando esse estádio ainda era uma esperança no papel...
eu dei uma mordida no pastel e aquilo tava uma delícia, mas o negócio é que a pimenta escorreu pelo meu braço e caiu em cima da camisa do meu avô — que, claro, era vermelha com a cruz do escudo do Porto. ele olhou pra mancha amarela na camisa dele, deu uma risada e falou:
— pronto, agora essa camisa tá marcada como a dos heróis: mancha de vitória e gordura de pastel... igualzinho ao primeiro gol que a gente comemorou aqui dentro!
aí que eu olhei pra ele, meio besta, e ele me abraçou apertado enquanto a galera começava aquele "ohhh" baixo antes do hino... e eu senti o cheiro da pimenta misturado com o suor do meu avô, que tava ali há tanto tempo quanto aquela camisa vermelha com a mancha maldita.
esse momento foi mais forte do que qualquer gol, pessoal... porque foi ali que eu entendi que não era só o estádio, não era só o time, era uma corrente de mãos, de pastéis, de manchas e de gente que tá junto desde antes de a gente nascer. o Dragão é isso: uma teia de histórias que a gente veste sem nem perceber... 🔴⚪ e pimenta na camisa, claro 😄
Já vi de tudo, pessoal.
Pois é, pessoal... depois de ler cada um de vocês, dá até um nó na garganta de tanto afeto misturado com saudade. Tem uma coisa que eu sempre digo quando comparo os tempos: a essência é a mesma, só o penteado mudou.
Lembro-me daqueles dias em que o estádio ainda cheirava a cimento molhado e tinta fresca dos setores novos, quando os guizos não eram tão escassos e o barulho vinha de gente que ainda lembrava dos gritos das antigas gerais. Hoje tem mais gente, mas não tem menos calor — pelo contrário, o amor se espalhou feito mancha de pastel no avental do Zé Periquito: indelével e saboroso. A diferença é que agora a pipoca mista chega em três sabores e o churrasco do pai do rapaz do botequim virou self-service, mas o cheiro do Dragão continua o mesmo, aquele perfume de vitória grudado na alma.
Antes, a gente ia pro estádio achando que ia ver um herói do futsal virar craque — agora os nossos garotos já nascem com o DNA portista no sangue e ainda assim a emoção não perde fôlego. Antigamente o "ohhh" baixo vinha de quem tinha visto o time suar por um ponto; hoje vem de quem ainda sonha com a Europa, mas já com a tranquilidade de quem sabe que o chão que pisa é feito dos mesmos sonhos de décadas. O Mario Jorge fazia o lateral chorar de vergonha? Hoje temos um ponta que faz os defesas saírem correndo atrás feito baratas tontas, só que agora com o escudo do Porto no peito.
E aqueles dias de escola, hein? Ainda tem criança correndo no recreio com a bola marcada de fita isolante, só que agora muitos deles já foram no Dragão pela primeira vez antes dos dez anos. A corrente não quebrou; apenas ganhou mais elos. O Zé Periquito continua lá, só que agora com um neto no colo que já sabe o nome dos jogadores de cor. A camisa do seu avô mancada de pimenta? Hoje tem mais manchas — de refrigerante derramado, de abraço de desconhecido, de lágrimas de alegria e de suor de mais uma vitória em casa.
Nada disso mudou: o hino ecoa, a bandeira tremula, a pipoca chia na manteiga, e quando a equipa entra em campo ainda tem aquele "ai oh..." que sobe, sobe, até virar rugido. Só que agora o rugido é global, ecoa nos quatro cantos do mundo, mas continua a bater no peito de quem nasceu no Porto. Afinal, como é que o amor se renova? Simples: a gente troca de camisa, mas nunca tira o coração do lugar.
Cara… até que enfim que o assunto veio pra riba e me puxou essa lembrança que eu tinha guardado no fundo da mala velha do meu pai! Eu tava com uns 9 anos, numa manhã de domingo bem cedo, e o meu tio — que é daquelas almas antigas que só faltava nascer no estádio — resolveu me levar pro Dragão antes mesmo do pessoal todo chegar. Chegamos tipo cinco da manhã, quando o sol tava só levantando e o cheiro de pão fresco da padaria ali da esquina ainda tava no ar misturado com aquele cheiro de grama cortada que a máquina fazia "zzzzz" na lateral… mas o que me marcou mesmo foi aquela senhora mais velha, a Dona Alberta, que tava colocando as bandeiras no mastro do bloco sul com uma fita na ponta já toda desfiada…
ela tava lá há mais de uma hora, em pé num degrauzinho baixo pra alcançar, e cada bandeira que ela enrolava era como se fosse um abraço no time antes de entrar em campo. Ela falava sozinha, coisa de torcedora de primeira: "hoje o clima tá bom, vai correr tudo redondo, mas se o VAR der mole… ai, meu Deus do céu". Eu fiquei olhando, boquiaberto, enquanto ela amarrava cada nó com a paciência de quem já viu milhares de jogos. Quando ela olhou pra mim e viu que eu tava só com a camisa do meu pai, três números maior, ela sorriu e falou: "esse aqui é o teu primeiro dia, pequenino? então segura bem forte nessa bandeira que ela vai te guiar pelo resto da vida". E eu segurei… e ainda seguro, até hoje 🔴⚪…
Na arquibancada desde criança.
ahhh puto, agora é que me lembrei daquele dia em que o meu primo mais novo, que só tinha 7 anos na altura, entrou no estádio pela primeira vez e saiu de lá com o nome do dragão tatuado no peito... não tatuado mesmo, óbvio, mas tatuado na alma, como a gente costuma dizer por cá.
ele chegou em casa todo vermelho, com os olhos brilhando feito moedas novas, e a primeira coisa que fez foi pegar num marcador preto e escrever "PORTISTA" numa folha A4 que ele colou na parede do quarto dele. eu, que já tinha visto cada um desses jogos todos na vida, achei aquilo o cúmulo do exagero infantil... até que no dia seguinte ele acordou cedo, vestiu a camisola do pai dele, que era maior que ele, e foi sozinho até ao quarteirão seguinte esperar o autocarro para ir para o estádio sozinho. sim, sozinho. com sete anos. e quando eu perguntei como é que ele ia fazer isso, ele olhou pra mim com uma cara séria e disse: "o tio Rafa, eu já sou sócio do Porto desde que nasci, não preciso de bilhete pra entrar no Dragão".
esse menino ali, que mal sabia ler, já tinha aprendido o que a gente leva uma vida toda a perceber: que o cheiro do estádio não é só pipoca e grama, é também o cheiro da confiança que a gente tem no outro lado da corrente. a Dona Alberta a enrolar as bandeiras, o Zé Periquito a vender pastel com pimenta, o meu pai a erguer-me nos ombros para ver o Mario Jorge fazer o lateral chorar... tudo isso é a mesma coisa que aquele menino a agarrar na camisola três números maior e ir sozinho de autocarro: é a corrente do Porto, é a escola antiga da molecada que nunca vai embora, é aquele "ai oh..." que começa baixo e sobe, sobe, até virar um rugido que faz tremer o gradeamento.
e olha que eu ainda nem falei daquele dia em que o meu avô, que era mais velho que o próprio Dragão, me levou ao estádio de mão dada e, quando a equipa entrou em campo, ele pôs a mão no meu ombro e disse: "agora olha bem, rapaz... porque isto aqui é o maior estádio do mundo, não pelo tamanho, mas pelo que ele significa". eu, criança, achei que aquilo era só conversa de velho saído da casca... até ver o primeiro chute a voar para a rede e perceber que ele tinha razão: o Dragão é mesmo maior que qualquer coisa, porque é feito das nossas histórias, dos nossos cheiros, dos nossos pastéis com pimenta e das nossas lágrimas quando o golo chega.
então é assim: a gente pode mudar de bairro, de emprego, de vida... mas se passar na frente do estádio e sentir aquele cheiro, aquele barulho, aquela voz da equipa vindo pelo alto-falante, a gente volta a ser aquele menino de dez anos a tremer de emoção no túnel, a sentir o peito doer de tanto gritar, a querer que aquele momento não acabe nunca. porque o Dragão não é só um lugar, é um sentimento que a gente nasce com ele, que a gente leva para onde for, e que nunca, jamais, se apaga. 🔴⚪❤️
Assista tanto quanto eu e você vai entender.
Ei, mas qual é a daqueles tempos que a gente corria na quadra do colégio com a bola que parecia ter vida própria e ainda acertava na cabeça do professor? tipo, minha primeira vez no Dragão foi basicamente isso, só que em versão "estádio de futebol" e com pipoca caindo no nariz.
Tava eu, uns 10 anos, todo orgulhoso com a camisola do meu irmão que ficava arrastando no chão, e quando entrei pelo túnel dei de cara com aquele cheiro de pipoca mista que a Larissa falou e ainda por cima um senhor vendendo pastel de carne... só que tava com tanta fome que acabei comprando dois e derrubei o segundo direito no pé do meu pai. ele olhou pra mim, olhou pro pastel no chão, olhou pra camisa toda suja e falou: "filho, hoje tu não vais só ao Dragão, vais é ao Inferno, mas com estrela". e eu, que já tava vermelho de vergonha, ainda tive que correr atrás da bolsa da minha mãe porque o cheiro de pimenta do pastel tinha grudado nela também. 🤣
mas ó, quando a equipa entrou em campo e aquele "ai oh..." começou a subir, nem lembrei mais do pastel no chão nem da pimenta na bolsa. lembrei só do meu pai me erguendo nos ombros como o Rafa falou, e do meu irmão mais novo gritando "gol!" antes mesmo do chute sair. aí que eu percebi: o Dragão não é só um estádio, é um buraco negro de memórias... e a gente cai nele desde pequeno e sai vermelho de tanto rir (ou de pastel no pé). cortina cai. 🍿🔴⚪
Meme também é análise.