Da Varzea pro profissional: como o Mirassol virou paixão que encheu os olhos do Brasil!
me lembro quando o mirassol ainda era aquele timezinho de várzea que a gente ia na beira do lago pra ver os caras jogando no solão mesmo, com a camisa do time toda descascada mas o nome grudado no peito assim, ó: "mirassol Futebol Clube" escrito a mão no tecido. eu pegava o ônibus lotado daqueles que nem deviam estar rodando mais e ia com o meu primo que agora tá careca mas na época tinha cabelo igual a um afro do caramba, a gente gritava tanto que até o motorista mandava a gente calar o bico mas a gente fazia pouco caso não. tinha uma arquibancada de madeira que a gente caía no riso porque balançava que nem balanço de criança, mas dali a gente via uns gols de bicicleta que faziam a galera toda levantar das cadeiras de plástico.
Pô, Vini, que história foda que tu tá revivendo aí...eu tava justamente lembrando disso esses dias e me veio um flash de quando a gente ia no campo do Portal da Lapa num treino qualquer do timezinho, sabe? Aquela grama mais amarela que o sol do inferno, time todo vestido de azul celeste mas que nem azul de time grande não, azul desbotado mesmo, e a galera em pé num barraco de madeira que mais parecia uma senzala reformada mas lotado pra caramba, uns 30 malucos gritando igual loucos quando o zagueiro do Mirassol metia aquele canhão pra longe e a torcida toda xingava o juiz porque ele não marcou falta. NOSSA, que dor de cotovelo gostosa foi aquilo! O Leo Paraíba daquele jeito...lembra quando ele levantou igual um aviãozinho pra cabecear aquela bola toda torta que vinha vindo igual um foguete fora de controle? EU GRItei tão alto que até hoje minha voz tá rouca, JURA! 💙🔥 A gente tava tão longe da Série B quanto a Terra de Marte, mas ali a gente sentia o cheiro da vitória...e CARALHO, o Leo cumpriu!
Coração com o time, cabeça em pausa.
então, vocês dois tocaram num ponto que me deixou de queixo caído ontem, quando tava vendo uns videos velhos no youtube, sabe? achei uma gravação da final do paulistão a de 2014 ou 2015, qualquer coisinha assim, quando o Mirassol ainda tava naquela fase de sofrimento que parecia que não ia sair nunca, e eu tava lá na arquibancada do estádio do Verdão pra caramba, um lugar que hoje nem reconheço mais. lembro que o gramado tava num estado que dava até dó, cheio de marcas de chuteiras, e a galera toda gritando "mirassol, mirassol!" numa voz só, mas parecia que ninguém acreditava mesmo naquele time, sabe como é? até quando a gente fazia gol, o cara do som gritava tanto que dava pra ouvir na cidade inteira, mas eu jurava que a voz dele tava tremendo de nervoso.
e olha só, foi justamente ali que eu vi o Leo Paraíba pela primeira vez, não como aquele monstro de hoje não, mas como um moleque magrelo que corria pra todo lado e parecia que tava voando. a galera toda já tava cansada de tanta espera, mas quando ele levantou pro cabeceio, a bola veio num cruzamento que parecia um tiro de canhão, e o pobre do goleiro do time adversário nem piscou, ficou lá parado igual estátua. aí o Leo chegou voando, quase levantou do chão de tão alto que pulou, e ploft, de cabeça na rede. eu soltei um berro que até a minha filha acordou aqui em casa, mas juro por Deus, naquele momento eu soube: esse moleque ia ser grande. não era questão de sorte, não era frescura, era pura raça mesmo. e hoje, quando a gente vê aquele gol do acesso, parece que tudo aquilo tava escrito lá atrás, no gramado sujo de várzea, com a gente gritando feito doido e acreditando mesmo quando ninguém mais acreditava.
mas enfim, a gente vê
Já vi de tudo, pessoal.
Caramba, pessoal… enquanto tava lendo essas lembranças, me veio uma coisa que não tem jeito: o Léo Paraíba daquele moleque magrelo no Verdão de 2015 pro Léo que pendurou a raquete no acesso da Série B… é como se a gente tivesse trocado um sonho por outro, só que maior. Aquele gramado de terra batida, a galera embolada num barraco que só não caiu porque o povo tava todo grudado na cerca, os gritos abafando até a voz do juiz — hoje a gente olha praquele vídeo e pensa: “nossa, como que a gente sabia que ia dar certo?”. Não sabia nada, mas acreditava que nem louco mesmo.
E o bonde do Mirassol de hoje? Olha, o que me espanta não é só o estádio lotado toda semana, não é o time jogando pra cima e pra baixo igual time grande… é que quando a galera canta “Sou Mirassol, sou paixão”, parece que cada palavra tá grudada naquele tempo todo. A gente que ia de ônibus caindo aos pedaços naqueles dias de solão pra ver time de várzea hoje tá vendo o time na televisão, na tela gigante do Canindé, no Maracanã… e não é só pela Série B, é pela cara que o Mirassol coloca no jogo.
Aquele gol de cabeça? 🔥 Demais pra explicar. Mas ó… quando eu vi o Léo Paraíba levantando igual um aviãozinho naquela final do Paulistão, eu não imaginava que dois anos depois a gente ia estar pulando junto no estádio dele com 30 mil pessoas. O tempo passou, o time cresceu, mas uma coisa ficou igual: a gente ainda acredita que quando o Mirassol entra em campo, a várzea toda tá torcendo junto. E isso, meus amigos, não tem preço.
Conte primeiro, discuta depois.
Puta que pariu, lembrei agora de quando a gente foi num bar pra assistir aquele Mirassol x Noroeste lá pro interior e o cara do som tava tão bêbado que confundiu o apito do juiz com o do churrasqueiro... a galera toda começou a comemorar o gol antes de acontecer! Aí o Leo Paraíba chutou, a bola rolou, todo mundo levantou e começou a cantar "é gol, é gol!", só pra ver o juiz apitar falta contra a gente. 🤣 O cara do som ainda tentou consertar: "peraí, não era falta não, era o churrasco que tava pronto!"... até hoje quando a gente vê ele no estádio, a galera grita "churrasco, churrasco" toda vez que o Léo toca na bola! 🍿🔥
Sou o único sério aqui — e olhe lá.