Da raposa à constelação: quando o Cruzeiro escreveu seu nome nas estrelas do futebol…
me lembro daquele mineirão lotado de 97 como se fosse ontem, a galera toda já com a faixa do tri na mão e o coração na garganta só de pensar em levantar a taça. não foi um jogo qualquer, não — foi aquele sufoco no primeiro tempo, o crisal mexeu com a gente até a alma, mas ai quando o marcelo ramos acertou aquele canhão aos 44 do segundo... nossa, quem tava lá nunca mais esquece da vibração que tomou conta do estádio.
porra Vini, tu tava lá memso??? eu tava naquelas arquibancadas do lado direito, com o meu pai e o meu irmão, os dois com as camisas daquele preto PRAVER e eu com a 10 do Alex dias na mão 💪🔴💥 até que no primeiro tempo a galera já tava toda em pé mesmo o time sofrendo, mas ai quando o marcelo ramos deu aquele murro no segundo pau... AÍ QUE FOI O BAQUE NO PEITO, RAPAZ!!! a galera toda gritando como se fosse um gol da seleção, foi tipo uma bomba, eu fiquei tipo assim "CARALHO, É NOSSO!" e ai a taça já veio...
Ganhando ou perdendo, com eles até o fim.
ihhh rapaz, agora que vocês relembraram esse momento sagrado, me veio uma coisa na cabeça que até hoje me faz dar uma risadinha e ao mesmo tempo me arrepia... lembra daquele lance do policialzinho no túnel depois do jogo?
eu tava saindo com o moleque do meu irmão, que na época devia ter uns 8 anos, o coitado já tava dormindo no meu colo, exausto de tanta emoção, quando a gente ainda tava dentro do Mineirão pra descer pro túnel. ai eu vi um guarda da polícia civil, bem aquele negócio de farda pesada nos dias de final, todo suado ainda com a correria, mas com um sorriso bobo no rosto, igualzinho a gente. ele tava com um apito no pescoço, desses de metal velho, e começou a assobiar "Peixe vivo" bem baixinho pra um grupo de criança que tava chorando de emoção abraçada com uns bannerzinhos do cruzeiro.
eu parei pra olhar e o moleque do meu irmão acordou assustado, olhou pra cima e falou "papai, mas por que esse moço ta cantando música de Peixe pra gente?" ai eu falei "não é música de Peixe, garoto, é música de alegria, igual a gente ta sentindo agora". o guarda ouviu e abriu um sorrisão, deu uma piscadinha e falou "esse som é pra comemorar, moleque, porque hoje a raposa não comeu sozinha não".
pra completar, no dia seguinte todo mundo tava na rua com as camisas, e aquele guarda tava lá no enterro da taça, com a farda toda engomada, como se fosse mais um da turma. ai eu lembrei do apito dele e falei pro moleque "hoje a gente também tem apito, mas esse aqui a gente usa pra comemorar, não pra marcar falta".
esse detalhe, hein? mistura de cansaço, de choro, de riso... isso que é time do povo, que faz a gente se sentir em casa até no meio da multidão maluca lá do Mineirão 😄💙
Saudade de quando a grama era mais verde ⚽
Nossa, Rafa, você trouxe aquele detalhe que só quem tava lá pra viver sabe o quanto faz o coração apertar e sorrir ao mesmo tempo. Aquele Mineirão de 97 era um lugar diferente, uma loucura organizada onde até policial suado cantava "Peixe vivo" pra criançada pra não chorar mais. Hoje a gente tem o estádio modernão, com camarote pra empresário e tudo mais, mas cadê a magia daquele sufoco todo?
Aquele time de 97 jogava como se não houvesse amanhã: Boiadeiro chutando de longe, Nonato fazendo tabelinha com Alex Dias como se fosse brincadeira, e o Marcelo Ramos, ahhh, o Marcelo Ramos — um matador nato que não precisava de repetição pra marcar. O atual Cruzeiro tem garra, claro, mas é outro tipo de pressão: a galera nova não nasceu vendo o time apavorado nas divisões inferiores. O choque cultural é real.
Mas ó, tem coisa que não muda: a raposa no peito de todo mundo. Os caras de agora também sofrem, também vibram, também têm aquele momento que grudar na memória. Só que em vez de um Mineirão lotado a ponto de fazer você sentir o cheiro de suor e pólvora no ar, a gente comemora num estádio mais limpo, com segurança mais "educada" e ingressos que custam mais do que o aluguel da casa do meu tio em Governador Valadares.
O que eu acho foda? Que o Cruzeiro continua sendo o time do povo, mesmo quando a grana muda de mãos. Aquelas crianças abraçadas com os bannerzinhos no túnel em 97 eram os nossos filhos hoje, levando os netos pro estádio. O guarda cantando "Peixe vivo" não sabia direito o que era futebol, mas sabia o que era alegria. Hoje tem drone filmando tudo pra postar no Instagram, mas o sentimento é igual: quando a gente levanta a taça de novo, vai ser igualzinho, com choro, gritaria e uns "nossa, é nosso!" que só quem tava perto do gramado vai ouvir.
O time atual? Dá trabalho, mas a história se repete. Um dia a gente olha pra trás e fala "putz, lembra daquele sufoco?" e ri igual. Porque a raposa nunca come sozinha.
xG > emoção.
Eita, cabei de lembrar do Tiãozinho, aquele do bar do Zé Perigoso na Praça do Cruzeiro, que naquela época já tinha um cheiro de pinga no hálito às 9 da manhã e jurava que tava sóbrio porque "trabalhou a noite toda no estádio limpando copo de suco derramado".
O cara foi pra final com a camisa número 10 do Alex Dias, mas num tão nova não, tava lá com os dizeres "Cruzeiro 97" pintados a mão com spray de pintor de parede, igual os bannerzinhos das crianças. Só que o Tião tava bêbado demais pra saber que a camisa dele era falsa e a galera toda ria quando ele gritava "VAMO GOL MARCELO RAMOS" a cada chute pro alvo.
No fim do jogo, quando o apito do árbitro encerrou e o Mineirão virou uma loucura só, o Tião caiu de bunda no chão, jogou a camisa pra cima e berrou "AÍ SIM, RAPOSA!" enquanto a galera caía na risada.
Hoje o cara ainda fala desse dia como se tivesse sido o maracanã lotado de 52, e jura pros netos que "aquele gol do Marcelo Ramos saiu de letra, igual os do Pelé". E o pior? Os netos acreditam 😂🔥
Continuem, que essa história ainda tem muito pra contar!
Segura minha cerveja.