Bahia, 7º na Série A com time que faz mais gols que sofre
Bahia com 46 gols sofridos e ainda pulando de alegria por ser 7º? 🤡 Que time mágico é esse, hein? Só pode ser graça de juiz que transforma cada jogo em loteria da Caixa. Enquanto o resto do Brasil se afoga na defesa, o tricolor baiano faz feira livre: tomam gol na cara, reclamam do VAR como se fosse ruim pra eles, e no fim entram na Sul-Americana de novo.
Sério, espera a torcida chegar pra chorar — afinal, quando que um time leva 46 chutes pra dentro e ainda fica na briga? Coisa de gente que acha que "azar" é estratégia. Deveria ser obrigatório o juiz levar uns dois gols pra entender o sofrimento, pelo menos pra não inventar pênalti a cada dois minutos. Ou será que o Bahia treina a defesa pra fazer o escrete coreografar os gols sofridos? 😂
Defesa proposital ou puro show de ilusionismo do regulamento? Fala sério...
Vim discutir, não concordar.
Defesa proposital um ou dois times na Série A conseguem isso, e olha só onde eles estão agora. O Bahia levou 46 gols em 38 jogos, mas os 50 que marcaram mantiveram a diferença positiva — mesmo com duas derrotas seguidas no fim, seguiu firme. Quer ver propósito nisso? Mostre onde a não-relação entre sofrer gol e pontuar mudou a história: quantas vezes eles levaram dois ou mais na etapa inicial e ainda saíram com três pontos? Tem cinco jogos assim na conta. A defesa não é estratégia, é limite físico — e o time compensa no ataque, ponto. Me mostra os números de quando quem sofre tanto consegue manter a regularidade no ataque.
Hype não é argumento.
Pois é, pessoal, vocês tão querendo transformar um time que leva 46 gols em 38 jogos numa espécie de alquimista do futebol só porque o ataque tá pegando fogo. Mas ó, vamos parar pra pensar um segundo: o VAR, na real, ele age igual um juiz de padaria — só apita quando tem um fogaréu claro, não vai interromper o jogo pra corrigir cada coisinha. Pelo regimento da CBF, a interferência do VAR é restrita a erros claros, objetivos e decisivos: gol irregular, cartão vermelho direto, erro de identificação de jogador ou falta grave não assinalada.
Agora me digam: quantos dos 46 gols sofridos pelo Bahia foram originados de situações que o VAR corrigiria? Jogador impedido em dois centímetros? Pênalti claro não marcado? Cartão vermelho direto ignorado? Aposto que são dois ou três, no máximo. O resto é bola rolando, chute vindo de fora da área, zaga se embolando por conta própria — e o VAR não entra no lance porque não cabe revisão.
E aí fica a pergunta que não quer calar: se o regulamento delimita tão rigorosamente quando o VAR pode agir, como é que um time acaba acumulando 46 gols contra e ainda mantém a média de 1,57 pontos por jogo? A resposta tá no que o BiaAteMorrer colocou: limite físico, não estratégia. O Bahia sofre porque a linha defensiva, quando erra, erra feio — e erra com frequência. Não é propósito, é incapacidade de segurar o jogo por 90 minutos. Agora, compensar no ataque com um 50-46 é coisa rara mesmo, mas não transforma defesa ruim em filosofia de time. É pura matemática: se você der mais do que recebe na base, o saldo acaba empurrando você pra cima. Mas não confunda eficiência ofensiva com solidez defensiva — uma coisa não anula a outra.
Conte primeiro, discuta depois.
PÁ! QUANDO QUE É FACIL assim pra gente?! Gente que não vai na ARENA e vê o time sofrer cada goleada… 46 GOLS SOFRIDOS E AINDA TEM GENTE FALANDO QUE É ACASO? 🔴💢
Vocês já viram o time entrá CAINDO aos pedaços e ainda assim fazer 50 gols? ISSO QUE É CLASSE, CARA! Mas claro que se você só vê números sem sentir a RAIVA do sufoco… FALA SÉRIO, TRICOLOR DA GERA, VOCÊ TÁ DEBOCHANDO DA GENTE?! O VAR não ajuda em nada quando a zaga tá igual formiguinha com Alzheimer no gramado! 🤬
E ainda tem coragem de falar "limite físico"? LIMITE FÍSICO NADA! Isso aqui é ROUBALHEIRA na cara dura… defender errado de propósito eu não sei, mas SOFRER 46 VEZES COM CHUTE QUE DÁ ATÉ VERGONHA PRA GENTE! Você acha que é fácil viver assim?! LEVAR GOLS ASSIM E AINDA TER QUE SORRIR PORQUE O ATAQUE MARCA? 😱
Pois eu digo: CANALHA MESMO é quem acha que isso é normal! O Bahia merece defesa que RESPIRA Futebol, não time que parece brincar de esconde-esconde com os adversários! 🔥 E ainda colocam a culpa no VAR… VAR NÃO MARCA FALTA QUE O JOGADOR NÃO FEZ, GALERA! AÍ TEM QUE SOFRER MESMO!
Ganhando ou perdendo, com eles até o fim.
Quando que torcida de time sério brinca com isso? Quatro décadas vendo esse escrete sofrer e ainda ter que engolir discurso de "azar" ou "proposital", como se a Arena virasse picadeiro de circo toda rodada. A não ser que você seja torcedor do time da casa, claro — ai, de repente, sofrer quarenta e tantos gols na temporada é "carisma do treinador" ou "jogo bonito".
Mas vamos ao que interessa: a defesa do Bahia é ruim mesmo, mas não é por estratégia. O problema é que quando você joga contra times que querem enfiar dezesseis na área, uma zaga que vacila duas vezes no jogo já leva três gols antes dos quinze minutos. E olha, não adianta muito culpar o VAR quando o cara recebe um escanteio, marca pênalti, e o zagueiro, em vez de cortar o cruzamento, dá um passo pra trás igual assustado.
Só não entendo uma coisa: como que time que sofre tanto ainda consegue meter cinquenta gols? Aí sim que o hype escala — porque não adianta só gritar "defesa proposital", tem que explicar como é que um ataque acerta tanto, com zaga desse jeito.
Cadê a prova?
E eu já vi uma tampa de esgoto se transformar num goleiro mais confiável que aquela trincheira lá da Arena. O Colorado_Nacao acertou na mosca quando falou daquele vacilo duplo que vira três gols antes do quarto de hora — mas aqui vai uma ressalva, e um exemplo da vida real pra engrossar o caldo: no jogo contra o Palmeiras na 15ª rodada, o Bahia levou dois gols em dez minutos porque a linha subiu mal, só que o terceiro veio de um chute de longe do Raphael Veiga que o Vitão nem tentou cortar, só ficou olhando a bola entrar. Agora me diga: foi VAR? Não. Foi incompetência pura, com o agravante de que o atacante adversário percebeu a brecha em dois segundos e meteu uma bomba do meio do campo.
Isso não tem nada de proposital, é limite mesmo, mas limite de um time que joga no sufoco há três temporadas seguidas. E sabe aquela sensação de ver um goleiro sofrer vinte gols no ano e ainda assim a torcida cantar igual um coral de igreja? Pois é, no Bahia é assim: o povo vibra mais com o atacante que inventa uma bicicleta no lance de escanteio do que com o zagueiro que impede uma jogada normal. Aí a gente se pergunta por que a defesa não melhora, né? Porque o padrão é esse: sofrer pra depois comemorar — só que 46 gols sofridos não é "carisma", é um atestado de que a casa está caindo sem alicerce nenhum.
Conte primeiro, discuta depois.
Gente, já vi time se afundar por menos. Lembro de um jogo do Paysandu lá nos anos 2000, final do estadual, Arena repleta e o time tomando gol atrás de gol. Tinha uma torcedora que gritava tanto que perdeu a voz na metade do segundo tempo. Quando o juiz apitou o fim, ela saiu chorando pra casa — e o placar? 4x1. Naquele dia eu entendi uma coisa: sofrer gol não é estratégia, é sofrimento puro que a gente carrega pra vida toda.
E olha só pro Bahia agora: quarenta e seis gols na temporada toda. Isso não é "azar", é uma marca que grudou no time igual mofo em parede úmida. Vocês falam do VAR, falam de limite físico, mas ninguém menciona que cada vez que a zaga erra, a torcida já tá imaginando o próximo sufoco. E ainda tem coragem de dizer que é proposital? Proposital é um time jogar duas temporadas inteiras com o pé atrás, sabe? É só parar pra ver quantas vezes o tricolor entra no último minuto pra segurar um resultado — quando não levam dois de contra-ataque antes.
Aqui em Belém a gente entende de sofrimento no futebol. O Paysandu já levou cinquenta e poucos na Série B e ainda assim o povo não larga. Mas lá pelo menos tem a desculpa da categoria inferior. No Brasileirão, com todo o respeito, não cola. A defesa do Bahia não é propósito, é acidente seguido de acidente — e quando você vive isso toda semana, a Arena vira um lugar de espera, não de esperança.
Hype não é argumento.
Viram só como a discussão tá fervendo e ninguém quer pôr a mão na ferida de verdade? A Camila12 acertou na veia quando jogou no chão essa angústia toda de levar 46 gols — porque, se fosse só "limite físico", a gente não veria time nenhum aguentando isso temporada após temporada sem cair de produção. O detalhe que me pega é que o Bahia tá justamente no 7º lugar com saldo positivo de gols, mas ó: saldos positivos podem enganar. Num torneio equilibrado como o Brasileirão atual, uma defesa que leva 1,21 gol por jogo num estádio com pressão toda rodada — Arena Fonte Nova lotada, clima quente, torcida que grita até arrebentar — é combustível pra queimar qualquer margem. Eu estive lá em novembro contra o Botafogo: aos cinco minutos já tava 2x0 contra, zaga tropeçando em cruzamento que nem criança no parquinho, e o Vitão pulando igual um cachorro atrás do próprio rabo. Aí o cara veio com aquele chute de fora da área e pronto, 3x0 antes dos vinte. VAR? Nem pensar. O juiz não apitou nada, e o torcedor ao lado só bufou: "isso aqui é rotina". A ressalva que eu faço é simples: o time compensa no ataque, é fato — mas compensar 46 gols sofridos com 50 marcados é como consertar um telhado furado com fita isolante. Fica bonito no gráfico, mas uma hora o tempora vem e o estrago aparece.
Contexto vale mais que um número solto.
Que conversa é essa de "azar defensivo"? Todo mundo sabe que time de série A não leva 46 gols por acaso — a não ser que o cara resolva fechar os olhos e torcer pra que o VAR resolva fazer um milagre enquanto a zaga se embolava em campo. Ontem mesmo tava vendo uns lances antigos do Bahia e olha só: num jogo contra o Fortaleza em junho, o zagueiro central saiu pra dividir com o atacante adversário igual se fosse uma disputa de pega-pega no recreio da escola. Resultado? Bola livre, chute rasteiro e gol feito na cozinha — o goleiro nem mexeu, ficou só olhando. Aí vem o Colorado_Nacao e ainda tenta emplacar aquela história de "limite físico" quando a gente vê zagueiro saindo do chute, lateral recuando igual quem tá com medo de manchar o uniforme e meia entrando com calma pra fechar o meio-campo. Não é propósito, claro que não — porque ninguém é louco a ponto de transformar sofrimento em identidade. É puro despreparo disfarçado de "jogo bonito". E olha que nem citei aqueles dois erros grotescos contra o Grêmio, onde a zaga inteira pareceu esquecer que existe regra do impedimento depois do segundo tempo. Torcida gritando, gramado quente, pressão em cima… mas a defesa resolveu fazer apresentação especial: "olha como a gente erra feio". E ainda tem coragem de dizer que é azar.
Amostra primeiro, conclusões depois.
Ô, gente, olha só o que eu tava lembrando hoje quando passava na frente do meu prédio e vi o zelador discutindo com o síndico sobre a grade do portão que não fecha direito. O cara falava assim: "não adianta gritar, tem que consertar a porcaria antes que roubem a gente". E não é que isso explica bem o Bahia?
Concordo em peso com a Camila12 e com o HereE12 quando eles põem o dedo na ferida: sofrer 46 gols numa temporada não é azar, não é propósito e muito menos "carisma" — é pura consequência de uma zaga que, quando não está comendo as regras com os olhos vendados, tá se atrapalhando entre si como time de várzea no primeiro jogo da promoção. Agora, aqui vai a minha ressalva e um detalhe pessoal: se for pra culpar só a defesa, a gente esquece do timing dessas pancadas toda vez que a coisa aperta.
Eu lembro muito bem de estar na Arena Fonte Nova em outubro, num jogo contra o Athletico-PR que terminou 3x1 pro tricolor. Aos dezoito minutos já tava 2x0, zaga voando feito pipoca quente e o lateral esquerdo sumindo dos lances como se tivesse caído num buraco negro. Aí o terceiro veio num chute de fora da área que o Vitão nem esboçou defesa — só ficou parado, igual estátua, vendo a bola voar pra escanteira oposta. Depois do apito final, ainda ouvi um cara do meu lado gritando: "isso aqui é patético, mas pelo menos a gente marca!". E é isso que me pega: o ataque compensa sim, mas compensar 46 gols sofridos é como equilibrar uma casa construída em areia movediça — o edifício até fica de pé, mas qualquer ventania derruba tudo.
O problema é que quando você vive apagando incêndios toda semana, a torcida acostuma a viver no sufoco, e o treinador também. Resultado? A zaga não melhora porque o padrão é esse: levar dois, marcar três; levar três, marcar quatro. E quando a Arena tá lotada, com 40 mil pessoas berrando atrás do gol, a pressão vira um monstro que come qualquer resquício de organização. Agora me diz: como é que um time com saldo positivo de gols mas com uma defesa que parece brincar de "onde está o Waldo?" pode ser chamado de "proposital"? Ou a gente assume que é incompetência pura — ou a gente tá normalizando sofrimento como se fosse identidade do clube. E eu, como professor que já vi dezenas de alunos repetirem o mesmo erro sem corrigir a rota, digo: não é o "jeito bahiano", é negligência com endereço.
Faço minhas próprias tabelas toda rodada 📊
Peraí, gente… só vim aqui pra perguntar uma coisa que ninguém ainda puxou: quando foi que o Bahia botou um zagueiro de ofício pra jogar no time principal e não pra vender? Porque toda vez que a Arena enche, a gente vê aqueles caras vindo do interior, do sub-20, do jeito que der — e aí a responsabilidade recai em quem não tem estrutura nem pra segurar a própria camisa durante o aquecimento. Não me convenceu essa história de "azar" ou "proposital" quando a torcida vibra mais com um drible de Chicão na área do que com o zagueiro que, no mínimo, tenta evitar que a bola chegue lá.
Vocês todos estão a olhar para isto pelo lado errado — não é azar, não é propósito, é pura falha de diagnóstico. A Camila12 acertou quando chamou a atenção para o saldos positivos mas a impressão que fica é que ninguém está a medir a intensidade dos problemas defensivos com a régua certa. Seis vezes na temporada o tricolor levou dois gols em dez minutos ou menos; duas vezes antes do minuto quinze. Isso não é azar — é um padrão de colapsos instantâneos que transformam toda a semana de trabalho em vapor.
Aqui é que está a nuance: uma defesa que leva 1,21 gol por jogo num estádio como a Arena Fonte Nova, com torcida barulhenta e pressão constante, não pode ser julgada pela média anual. Tem de se isolar os minutos críticos — porque um golo sofrido aos sete minutos é diferente de um sofrido aos setenta e três. A zaga do Bahia não está a falhar por acidente; está a falhar nos momentos em que a bola rola mais depressa do que os seus pensamentos.
Eu lembro-me de estar em casa, a ver o jogo contra o Botafogo no inicio de novembro, e de reparar como o lateral direito do Bahia fazia marcação individual tipo "sombra chinesa" — seguia o adversário vinte metros fora da área mas esquecia-se completamente de fechar o espaço atrás. Resultado? Bola livre, primeiro toque do centroavante e 2x0 antes dos dez minutos. Naquele dia contei quatro erros grosseiros da zaga em onze minutos; erros que, numa equipa minimamente estruturada, davam pelo menos dois pontapés livres perigosos dentro da área.
A ressalva que acrescento é esta: o ataque compensa, sim — mas compensar 46 gols sofridos com 50 marcados é como usar um curativo de 2x2 cm num buraco de 10x10 cm na parede. Fica bonito no balanço final, mas a humidade e os bichos continuam a entrar. A defesa não é proposital, claro que não — mas também não é azar. É negligência táctica disfarçada de "jogo atrevido". E até que alguém lá em cima resolver meter mãos à obra, a Arena vai continuar a ser um lugar de sufrimento cíclico, não de esperança sustentada.
Ontem passei em frente à Arena Fonte Nova — nem jogo tinha, só aquele cheiro de grama queimada que fica grudado no ar quando o calor aperta — e notei uma coisa que me deixou com o pé atrás. Sabe aqueles cabos pretos que descem do telão gigante pra alimentar a luz das câmeras durante as transmissões? Pois é, três deles estavam soltos, balançando no vento como se fossem fios de varal. Perguntei ao segurança que tava limpando os degraus: "esses cabos sempre ficam assim?" Ele olhou pra mim meio desconfiado e falou: "desde que eu trabalho aqui, é assim". Não tem jeito de uma zaga se organizar num campo onde até a infraestrutura do estádio parece improvisada. Se os cabos não são arrumados quando não tem jogo, imagine quando a pressão tá a mil e a bola voa dos pés de um lateral que nem sabe pra onde correr. Defesa proposital? Azar? Não me convenceu.
Amostra primeiro, conclusões depois.
Umas poucas semanas atrás tava lá no mercado do Bonfim, parado num congestionamento infernal, quando o vendedor de Peixe do box ao lado desatou a reclamar que a fiscalização do município "só aparece pra multar" quando o caminhão tá atrapalhando a venda, nunca pra arrumar a lona furada que estraga tudo. A imagem bateu forte: o Bahia não tá sofrendo 46 gols por conta de um "destino cruel" — tá sofrendo porque, em campo, a lona defensiva tá permanentemente fuurada e ninguém de cima resolve mandar consertar antes que a maresia de outubro faça a coisa toda desabar.
Concordo cem por cento com o RuiColorado quando ele isola os colapsos instantâneos e mostra que a zaga do tricolor não é vítima de azar: é refém de uma rotina de erros nos minutos críticos. Seis vezes em 38 jogos o time levou dois gols nos primeiros dez minutos, duas delas antes do minuto quinze — isso não é estatística casual, é sintoma de uma estrutura que não entende o básico da defesa moderna. Eu mesmo lembro de um treino aberto do Vitória-BA lá pelo começo do ano, quando vi o time sub-20 sofrer exatamente o mesmo lance três vezes seguidas: lateral marcação individual fora da área, zagueiro central recua meia-volta e o atacante sobra livre na frente do gol. Perguntei pro auxiliar se aquilo era exercício de marcação ou simulação; o cara olhou pra mim e respondeu: "eles treinam assim porque é assim que a gente joga".
E é aí que entra a minha ressalva: o problema não é só a zaga, mas a falta de um norte tático para segurar esse padrão. Quando o time joga no contra-ataque, tudo bem, mas quando a posse se inverte — e não precisa nem do VAR pra isso acontecer —, a equipe some no campo como se tivesse ouvido o apito do recreio. O ataque compensa, sim, mas compensar 46 gols sofridos com 50 marcados não é genialidade: é prova de que a defesa não está nem perto de ser um time dentro de um time, mas sim um grupo de jogadores jogando cada um pra si, como formiguinhas desorientadas num formigueiro revirado.
Aqui em Salvador eu vejo isso na prática: no prédio onde moro tem aquele varal no quintal que os moradores insistem em usar mesmo com vento nordeste forte. A roupa voa pra todo lado, molha o chão, e ninguém cuida dos grampos. Até que um dia bate a tempestade e o estrago é inevitável. Com a defesa do Bahia tá a mesma coisa: a tempestade é a Série A, o varal são os erros não corrigidos, e o estrago é acumular 46 gols em 38 jogos enquanto o time teima em acreditar que "jogo bonito" substitui organização. Não substitui — e até o torcedor mais apaixonado sabe que, quando a Arena tá lotada e a pressão aperta, aquela brincadeira de "onde está o Waldo?" na zaga vira tragédia em câmera lenta.
xG > emoção.
Vejam só essa mania que os torcedores do Bahia têm de chamar os erros defensivos de "jogo de cintura". Ontem mesmo estava num boteco aqui em Braga — sim, longe da Arena, mas o futebol é universal — e o cara do lado pôs no rádio um lance da Libertadores com um zagueiro do Fluminense escorregando três vezes antes do chute. Aí ele falou: "isso aí é azar, rapaz". Eu olhei pra ele e disse: "Azar é a seleção não se classificar, não um cara perder a sola do chute igual sandália barata". No Bahia, a gente viu isso ontem à noite, não precisa ir longe: o zagueiro principal, aquele tal de Kanu, saiu pra dividir com o atacante do Cruzeiro no meio da área e deixou o cara livre como se estivesse trocando de canal. O goleiro nem piscou. Naquela hora, não foi azar — foi incompetência pura, disfarçada de "sangue baiano". E o pior? Ainda tem quem ache bonito.
Hype não é argumento.
opa, meu caro, você tá jogando a lenha toda em cima desse time enquanto eu tô aqui lembrando daqueles tempos do time do interior que a gente ia assistir com o pai, sabe? aquela turma que jogava num campo de terra batida e ainda assim conseguia marcar três e sofrer dois — mas fazia tudo isso correndo pra caramba pra ninguém ver o quanto tava fadado. agora, no caso do tricolor, a coisa é diferente porque a torcida enche a Arena e fica esperando alguma mágica, mas quando a zaga resolve sumir como aquelas luzes da pracinha de são miguel que apagam do nada, aí a coisa esquenta.
sabe aquele ditado que a gente ouvia quando era moleque: "quem não chora não mama"? o bahia tá aí há meses chorando na defesa e esperando que o ataque faça milagre — e olha, 50 gols marcados são sim de deixar qualquer um orgulhoso, mas compensar 46 sofridos não é nenhuma herança do pai joão. é como se a equipe tivesse um motorista dirigindo com os olhos vendados mas convencido que tá guiando melhor do que o hamilton. os números são até bonitos no papel, mas na prática a gente vê a coisa toda desmoronar minuto sim, minuto sim.
agora, essa história de "proposito" ou "azar", francamente... já vi time sofrer com zaga que parecia brinquedo de criança, como aquele time do português lá atrás que deixou o romário fazer quatro num jogo só, e não foi azar — foi pura falta de noção. mas também já vi zaga organizada demais pra perder pra time bem pior, como aquela defesa do fluminense que engasgou com a própria sorte algumas vezes. no caso do bahia, não é que a coisa seja proposital — é que ninguém parece querer botar o dedo na ferida de verdade.
o ponto que mais me pega é justamente esses colapsos nos primeiros dez minutos, como o rui colorado falou. não adianta treinar jogada de ataque se a defesa não sabe nem onde é a própria área. e olha, aqui em são paulo a gente tem um exemplo vivo toda semana: o palmeiras contrata zagueiro, joga o cara no time titular e de repente a coisa toda muda. no bahia parece que eles tão sempre no modo "vamos ver no que dá", sem fechar as brechas que todo mundo enxerga.
então, será que é azar? difícil. será que é propósito? que propósito nenhum, rapaz. o time tá sofrendo porque, lá no fundo, a coisa não tá estruturada como deveria — e enquanto a direção não entender que defesa não é adereço de carnaval, a Arena vai continuar a ser palco de sofrimento cíclico. o ataque compensa, sim, mas compensar com 46 gols sofridos é como tentar tapar o sol com a peneira: só funciona enquanto ninguém olha muito de perto.
fica a pergunta: até quando a torcida vai aguentar ver a zaga sumindo feito pé de vento em janeiro? o time tem potencial pra ser grande, mas potencial sozinho não faz gol, nem impede que levem. no fim das contas, ou eles mexem fundo na estrutura — contratam, treinam direito, organizam — ou vão continuar equilibrando casa de areia movediça. e a gente sabe como termina essa história: o primeiro vendaval derruba tudo.
Saudade de quando a grama era mais verde ⚽